Sindicatos se “reinventam” após o fim do imposto obrigatório

Queda de arrecadação foi de 90%

O fim do imposto obrigatório aos sindicatos, aquele que era descontado compulsoriamente dos trabalhadores, a partir da aprovação da reforma trabalhista no ano passado, os sindicatos estão se vendo obrigados a enxugar os recursos para manterem as portas abertas. Nos primeiros quatro meses de 2018, as receitas dos sindicatos tiveram uma queda de 88% se comparado ao mesmo período do ano passado.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, somente em abril as associações arrecadaram R$ 102,5 milhões, representando uma queda de 90% em relação a 2017.
Mesmo não sendo mais obrigatório, o imposto ainda existe, mas de forma voluntária, sendo que a empresa só pode fazer o desconto com a autorização por escrito do funcionário.
Com isso os sindicatos se veem obrigados a demitir funcionários, vender bens (carros, casas, apartamentos) e principalmente reformular a política de serviços prestados aos associados.
Para tentar contornar o momento de crise após a nova legislação, os sindicatos estão tentando serem mais atuantes junto aos trabalhadores, além de buscarem novos associados para manter as contas no azul.
Um dos pontos que colabora para a falta de recursos nas associações é o desemprego. Sem vagas com carteiras assinadas, o trabalhador não se filia e nem contribui com os sindicatos.
Na contra-mão dessa crise
Poucos são os sindicatos que ainda se mantém apesar dessas mudanças. É o caso dos mais atuantes, que não vivem da contribuição obrigatória, mas dos sócios espontâneos.
Um dos exemplos é a Apeoesp, o sindicato dos professores estaduais de São Paulo, o maior da América Latina com quase 200 mil sócios. Há anos a entidade não cobra o imposto obrigatório, preferiu investir em serviços de qualidade para seus associados, que pagam espontaneamente um percentual de seus salários como mensalidade sindical. Em contrapartida o professor tem a seu favor uma equipe de técnicos que além de promover atividades pedagógicas de formação continuada, conta também com assistência jurídica e tem a disposição cursos e colônias de férias. Além de ser um sindicato com mais de 70 anos, notório por pegar no pé dos governos do Estado para reivindicar melhorias salariais e funcionais para sua categoria.
Dessa forma, a tendência a partir de agora é aperfeiçoar a organização das entidades para otimizar os serviços prestados com menos recursos. Quem não fizer isso, corre o risco de fechar as portas. E, mais uma vez, quem perde é o trabalhador. Postado: 08/06/2018

Deixe o seu comentário

0Comentários

Voltar