Quem elegeu Jair Bolsonaro presidente do Brasil?

Wilson Simonato

Afinal, o que levou Jair Bolsonaro ao cargo mais importante do país? Pelo menos pra mim, o capitão esteve longe de ser o candidato dos sonhos. Mas era o que tínhamos para o momento. Acredito que boa parte de seus votos ele deva aos descontentes com a situação do país e, principalmente, ao chamado anti-petismo.
Conheço gente que votou em Bolsonaro só porque não queria mais os vermelhos, do mesmo jeito que aqueles que apertaram 13 tapando o nariz porque temiam as supostas radicalizações do agora presidente eleito.
Mas, depois de ficar até a madrugada na frente da TV ouvindo análises de “especialistas”, faço aqui minha singela avaliação: Bolsonaro deve ser mesmo fruto de uma gestação mórbida que tem como pai e mãe toda a atual conjuntura do Brasil. E nessa paternidade compartilhada entram o partidarismo, o ativismo, o vitimismo e muitos outros ismos. Além é claro de nossa irritação com o atual modelo adotado por diversos setores dos Três Poderes.
O brasileiro, engasgado com tudo o que viveu nos últimos anos, viu em Bolsonaro, em seu jeito trôpego, na redundante e às vezes enfadonha oratória, nas propostas vez ou outra sem pé nem cabeça e até na campanha mambembe feita com celular, de pijama e dentro de casa, a alternativa a tudo isso que está aí. E o brasileiro, enfim, deu seu recado na urna.
No entanto, em minha humilde opinião, o grande pai mesmo de Jair Bolsonaro chama-se Partido dos Trabalhadores. É a ele que deve sua eleição.
Acho que a arrogância, a prepotência, a hipocrisia e a demagogia do PT foram os grandes aliados da campanha do PSL.
O discurso insistente de que a democracia estaria ameaçada com Bolsonaro definitivamente não colou. Para a maior parte do povo, democracia é comida na mesa. Não existe democracia sem emprego, sem renda, sem dignidade. Isso sim é ditadura.
E, afinal, como podia o PT defender democracia se o partido tinha como única meta se perpetuar no poder, mesmo ao preço da corrupção?
Como podia o PT defender democracia se derretendo em chamegos às únicas ditaduras ainda vigentes nas Américas, a saber Cuba e Venezuela?
Como podia o PT defender democracia se só aceitava alianças nas quais Lula ditava os termos, submetendo parceiros às suas pretensões hegemônicas?
Como podia o PT defender democracia sem assumir que foi o principal responsável pela brutal crise política, econômica e moral na qual o país fora lançado? 
Como podia o PT defender democracia se sempre desqualificou a oposição, pois se julga único dono da verdade e exclusivo intérprete das demandas populares?
Como podia o PT defender democracia se sempre se fortaleceu da discórdia, sem jamais reconhecer a legitimidade de seus oponentes?
Talvez por isso e por outras tantas coisas que não me lembro agora, Bolsonaro tenha ganhado pela maior margem de votos já registrada em um segundo turno, desde a redemocratização.
Espero agora a (re)união do país, hoje dividido como se fossem duas Coreias, norte e sul. Espero reformas de fato, que sei serem difíceis pois não dependem só de boa vontade, já que esbarram em grupos de interesses. Espero austeridade. Espero promessas cumpridas. E, principalmente, espero continuar tendo esperança.

Wilson Simonato é diretor da SCS Contábil Postado: 29/10/2018

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