Confiança na economia despenca, segundo dados da FGV

Setores da indústria e consumidores estão céticos

A greve dos caminhoneiros, que derrubou diversos índices da economia, jogaram pra baixo também os indicadores de confiança da FGV (Fundação Getulio Vargas), usados para avaliar o nível de confiança das pessoas com relação à economia do país.
Esses índices haviam ensaiado uma melhora que parecia consistente entre o fim do ano passado e o começo de 2018, mas voltaram a cair entre março e abril, aumentando as dúvidas sobre a real extensão da retomada econômica, que até então se acreditava mais vigorosa.
De acordo com o superintendente de estatísticas do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, Aloisio Campelo, essa situação indica um misto de desconforto com o presente e desconfiança com relação aos próximos meses em setores que representam cerca de 70% do PIB.
 Os indicadores de confiança da FGV captam o ânimo de indústria, comércio, serviços e construção civil, além de empresários e consumidores. A escala vai de zero (desconfiança total) a 200 pontos, sendo 100 pontos o nível neutro. Historicamente, a escala oscila entre 60 e 140.
Hoje, todos os índices estão abaixo de 100 pontos, o que indica pessimismo. A exceção é a confiança da indústria, que caiu, mas ainda está nos 100.
Segundo Wilson Simonato, diretor da SCS Contábil, que lida diretamente com pequenos, médios e grandes empresários e empreendedores, boa parte desse setor hoje desconfia da capacidade do governo de tomar medidas para acelerar a economia, sem contar a incerteza política que hoje além da Copa toma boa parte do noticiário.
A pesquisa da FGV mostra que os consumidores são os mais descontentes. A queda foi de quase cinco pontos em junho— a maior desde fevereiro de 2015 e uma clara resposta ao desalento que se instalou no mercado de trabalho.
A confiança da construção também preocupa porque, além de não reagir, está bem abaixo do nível neutro, levada pela falta de recursos do governo para tocar obras, dificuldades pelas quais passam as empresas envolvidas na Lava Jato e pelo fraco desempenho do mercado residencial.
Diante disso, o próprio Banco Central revisou as previsões para o crescimento econômico —de 2,6% para 1,6%--, apontando, entre outros fatores, a "acomodação dos indicadores de confiança de empresas e consumidores".
Após reduzirem as suas projeções do PIB pela metade (de 3% para 1,5%), os economistas aguardam os próximos indicadores de confiança para decidir os passos seguintes.
De acordo com Simonato, a esperança ainda são as eleições e alguma mudança de rumo nas tomadas de decisões que possam reaquecer a economia. “Passando, claro, pela mudança do cenário político”, diz o empresário da SCS Contábil Postado: 10/07/2018

Deixe o seu comentário

0Comentários

Voltar