Análise: O Brasil dividido de novo

Wilson Simonato

Mais uma vez o país em ritmo de espera. E a economia, da mesma forma. O Brasil dividido não é bom para ninguém. Não é bom para o patrão, não é bom o empregado. Os investimentos continuam congelados, ninguém quer arriscar nada sem uma ideia mínima do que virá pela frente.
Em análise publicada nesta segunda-feira pós 1º turno das eleições, em Uol Economia, especialistas da FGV e da XP investimentos estimam em pelo menos mais seis meses o ritmo de espera para novos projetos de grande porte no país. Ou seja, não basta ter presidente, mas sim saber qual será a política econômica adotada.  
A polarização entre as duas vertentes ideológicas, direita e esquerda, volta a nos ensinar. A vitória parcial da direita, no entanto, mostra que o país tende a preferir o risco do novo à certeza do velho. Não dá pra saber o que realmente passa na cabeça tanto de Bolsonaro quanto de Haddad para salvar a combalida economia do país. Chegamos a tal ponto de pessimismo que parece estarmos preferindo o incerto, desde que ele seja diferente do que está aí atualmente.
O que se percebe é que, dentro dos mais de 46% que tenderam a Bolsonaro no 1º turno, muitos sequer gostam dele ou compactuam com suas ideias. Mas votaram 17 na urna porque estão cansados desse cotidiano. Alckmin, Ciro, Marina, Meireles, são mais do mesmo. Estão no cenário do protagonismo político há gerações mas não representam nada de esperançoso.
Sem contar também o anti-petismo que levou até desafetos do capitão a votarem nele. Haddad também é mais do mesmo, a imagem de um partido atrelado à corrupção e a atual crise. Não esqueçamos que as chapas petistas estão no governo há 15 anos e que Temer também foi eleito por uma coligação do PT.  
Qualquer pessoa um pouco mais esclarecida sabe que, nem um, nem outro, tem a fórmula mágica para salvar o país. O fato concreto é que a melhor proposta, seja ela qual for, não terá efeito prático de imediato. O Brasil ainda vai demorar a se estabilizar.
O que precisamos, rápido, é de uma proposta de rumo. Seja ela qual for.
Se hoje temos a impressão de que já batemos no fundo do poço, sabemos também que não há mais pra onde cair. Só nos resta agora o caminho inverso, o de retornar à tona. Vamos torcer.

Wilson Simonato é contador, diretor da SCS Contábil   Postado: 08/10/2018

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